sábado, 27 de junho de 2009

Saldo da semana passada: filmes assistidos


Vou fazer aqui um breve resumo dos filmes que assisti no final de semana passado. Deveria ter feito isso antes...
De qualquer forma, não vou deixar a oportunidade passar, até porque os filmes que assisti (sem exceção) são ótimos!

Sangue Negro

http://www.adorocinema.com/filmes/sangue-negro/sangue-negro-poster05.jpg

Um excelente filme do diretor Paul Thomas Anderson (Magnólia), no qual o fabuloso ator Daniel Day-Lewis interpreta um magnata do petróleo, no início do século vinte. O filme retrata a vida deste homem, desde o início, exibindo o personagem trabalhando sozinho nas minas de prata, até a época em que sua empresa domina praticamente uma cidade inteira.
O filme tem uma fotografia excelente, que mostra metaforicamente Daniel Plainview (personagem de Day-Lewis) surgindo das “sombras”, coberto com o “ouro negro”. Além disso, conta com a trilha sonora excepcional do guitarrista da banda Radiohead, que mistura momentos em que antecipa muita tensão (lembrando a trilha de “2001, Odisséia no Espaço”) com músicas orquestradas com um ar mais clássico e festivo, dando um toque de ironia.
Além de Day-Lewis, o filme conta com a presença de Paul Dano, que interpreta o reverendo Eli Sunday. É interessante observar a rivalidade quase instantânea que nasce entre os dois (Plainview e Sunday), pois ambos buscam poder.
Um filme excepcional, daqueles que permitem um infinito leque de interpretações.

Links recomendados:
http://www.cinemaemcena.com.br/ficha_filme.aspx?id_filme=4369&aba=detalhe

Pi

http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/pi/3.jpg

Um filme de mistério e conspiração “expressionista pós-moderno”. Expressionista por ser preto e branco com um contraste exagerado (quando é preto é realmente preto, e quando é branco, é muito branco).
Visceral e, às vezes, surreal, o filme, dirigido por Darren Aronofsky conta a história de um matemático e programador chamado Max Cohen (Sean Gullette) que busca por um padrão matemático na bolsa de valores. Quanto ele descobre algo, obviamente não consegue ficar em paz, sendo perseguido por uma empresa da Wall Street.
É brilhante a forma como o filme mostra a vida do personagem principal, dando uma sensação de obsessividade assustadora, que representa o estilo de vida do personagem. Como se não bastasse, ficamos em dúvida se realmente o personagem está sendo perseguido.
No meio do filme, um outro personagem busca Max e pede ajuda, para que ele o auxilie a decifrar um mistério envolto com o judaísmo. Neste momento, o filme aproveita para dar uma verdadeira aula (como num documentário) de como tudo na natureza contém matemática. Mas, longe de se tornar massante ou cansativo, o filme faz-nos ficarmos ainda mais interessados e intrigados pelo assunto, e aí começamos a concordar com a teoria do personagem principal, de que tudo na natureza segue um padrão, possível de ser previsto matematicamente.
Um ótimo filme! Daqueles que é impossível ficar sem omitir uma opinião no final.



Feitiço do Tempo

http://www.fisica-interessante.com/image-files/feitico-do-tempo.jpg

Feitiço do tempo, cujo nome original seria "o dia da marmota", conta a história de um repórter chato e arrogante (interpretado por Bill Murray) tem que fazer uma reportagem sobre uma festa tradicional (envolvendo uma marmota!) numa cidadezinha pequena. O personagem já chega na cidade sem nenhuma vontade, pois acha aquela festa ridícula. No dia seguinte, ao acordar, percebe que o dia anterior está se repetindo!
Uma comédia inteligente e interessante, muito bem montada. Percebe-se, desde o início, que é daqueles filmes com objetivo claro de ter uma moral da história.
Mas não é daqueles filmes bobos e previsíveis. O filme é muito bem montado, com piadas inteligentes inseridas sempre no contexto certo. O filme não tem uma mensagem óbvia, como a maioria, mas permite várias interpretações, o que deixa a película bem mais interessante.
O ator Bill Murray tem uma ótima interpretação com um timing perfeito, deixando um personagem chato e arrogante tornar-se engraçado. O filme exibe a transformação do personagem de forma bem coerente, que faz o filme ganhar credibilidade.
Recomendado!
Todas as comédias atuais poderiam ser como esta...

Conclusão

Pelo visto, o saldo foi positivo. Espero sempre acertar em minhas escolhas, como desta vez. Independente disso, sou cinéfilo, o que significa que assistir a um filme sempre será um prazer, independente da qualidade.

Até o próximo fim de semana!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Star Fox

Ficha Técnica

Nome: Star Fox
Gênero: Simulação/Tiro ("Shooter")
Modos de jogo: campanha para um jogador
Ano: 1993
Origem: Japão
Designer: Shigeru Myamoto
Desenvolvimento: Nintendo/Argonaut Software
Distribuição: Nintendo
Sistema: Super Nintendo Entertainment System/Super Famicom



Caixa original do jogo

Em 1993, a tecnologia 3D já havia dado seus primeiros passos. Primeiro, nos Arcades, em jogos como Virtua Racing e Virtua Fighter, da Sega (entre outros), que testaram as capacidades de interação que a nova tecnologia oferecia. No ramo de jogos caseiros, consoles como 3DO prometiam gráficos poderosíssimos e jogos mais adultos com a utilização desta tecnologia.


Sinceramente, não sei quem deu o primeiro passo. Independente disto, a Nintendo tinha percebido que, logo logo, estaria perdendo terreno para as empresas rivais, visto que seu console da época, o Super Nintendo – que apesar de graficamente superior ao seu principal rival, o Mega Drive - , tinha uma falha: o processador lento (na casa dos 3 MHz, contra um processador na casa dos 7MHz do Mega Drive).


Se a tecnologia dos cartuchos tem uma vantagem em relação ao CD, ela foi aproveitada quase que ao máximo neste jogo – não digo em relação a puro poder gráfico, mas no que diz respeito ao uso de tecnologia de ponta (pelo menos para a época).


Esta tecnologia era o chip Super FX, que nada mais era do que um processador capaz de processar gráficos "poligonais" – ou seja, tridimensionais -, o que o processador principal do console não era capaz de fazer. Porém, mesmo com este chip, os jogos (comentarei melhor posteriormente) não ofereciam o mesmo desempenho que o da rival Sega. Imagino que a Nintendo tenha percebido isso e, portanto, apostato suas fichas não apenas na tecnologia, mas num novo projeto, todo feito com base neste chip. Este projeto era Star Fox.


Primeiro estágio, Corneria



O Jogo



O roteiro é simples: o planeta Corneria está sendo invadido pelas tropas de Andolf (posteriormente chamado de Andross). Para isso, o general contata a Star Fox, aparentemente uma equipe de caçadores de recompensa.


O jogador pilotará a nave de uma carismática raposa, chamada Fox, o líder da esquadra, num típico "shooter" de naves espaciais, sendo acompanhado por Falco (um falcão), Slippy (um sapo) e Peppy (um coelho). Agora, porém, o jogo conta com uma diferença crucial: é totalmente tridimensional!


Tudo bem, o fato de ser 3D poderia ser apenas uma jogada de marketing - até porque, como se pode perceber desde o início, a taxa de frames do jogo é baixa, dando a impressão de um jogo pouco fluído. Porém, a Nintendo conseguiu contornar estas falhas.


O jogo explora ao máximo as possibilidades tanto gráficas quanto de jogabilidade, criando uma experiência única.



Quem não se lembra da fase "Sector X", onde a esquadra de Fox percorre um setor no espaço onde existe uma espécie de "lixo espacial", que na realidade são objetos poligonais (barras e cruzes de aço, lembrando construções incompletas), que se movem com o "objetivo" de atrapalhar e acertar as naves? Ou então a "Space Armada", onde se encontram várias naves gigantes do inimigo, "esperando" para que o jogador entre nelas, percorra um corredor cheio de obstáculos e destrua-as por dentro? Ou ainda "Titania", um planeta estranho, em que o cenário se repete infinitamente...a não ser que o jogador perceba que, atrás de um obstáculo, tem algo importante para ser ativado - que, além de (uau!) mudar o clima do planeta instantaneamente (de coberto de neve com neblina densa, para um deserto avermelhado com o sol se ponto ao fundo) libera a "continuação" da fase?


Além da ação desenfreada, característica principal dos jogos de "shooter", o jogo proporciona uma adrenalina crescente, que vai aumentando até culminar com o chefe final, Andolf. Não só a dificuldade do jogo acentua isto (com uma dificuldade relativamente alta para os não iniciados), como o aspecto visual e sonoro (como comentarei mais para frente).



Segundo estágio, Asteroid field

Um exemplo é a cena da entrada do caça de Fox na nave gigante que representa o chefão da "Space Armada", que demonstra a enorme dimensão da nave inimiga. Posso citar, também, a conclusão da "Asteroid Field", em que vemos um efeito visual semelhante ao de Guerra nas Estrelas, quando as naves entram na Velocidade da Luz, ou ainda a entrada da fase final, Venom, que mostra a descida do caça de Fox ao planeta.


Para os que ainda estão perdidos, o jogo, apesar de tridimensional, é linear. O caça de Fox avança sempre para frente, sendo que o jogador pode movimentá-la para os quatro lados da tela, além de poder frear ou dar um turbo, para desviar dos tiros e obstáculos. A movimentação da nave lembra a de um avião, sendo que para subir e descer, os comandos são invertidos. O jogo permite, também, a inclinação lateral da nave (com os botões L e R) o que facilita a movimentação lateral na hora de desviar dos tiros inimigos.


Pra ajudar (ou atrapalhar) o jogador é acompanhado pelos outros membros da esquadra, que, às vezes, tentam ajudá-lo, e acabam por passar na frente. Se o jogador derrubar um companheiro sem querer perde a "ajuda", além de não poder completar 100% da fase.


Como todo bom Arcade que se preze, o jogo oferece itens para ser coletados durante o jogo – itens, aliás, que utilizam abusivamente do 3D, com designs intuitivos. Entre os itens, o jogo conta com anéis que carregam a energia da nave, bombas (podem ser atiradas a qualquer momento, com uma larga área de impacto), aumento da potência dos tiros, entre outros.


Um dos mais interessantes é o item para coletar vida extra: são três alvos móveis. O jogador deve atirar nos três, para, então, surgir uma "navezinha" no meio, que é a vida propriamente dita. Ah, e como não poderia faltar, tem um item que recupera asas perdidas, caso o jogador perca uma delas. Veja, com este exemplo, que os criadores se atentaram a vários detalhes, com a preocupação de fazer um jogo de qualidade.


No aspecto dificuldade, pode ser considerado um jogo difícil para não iniciados, e médio para quem já está acostumado com este tipo de jogo. A dificuldade é crescente. Porém, pelo fato de o jogo ser Arcade – e, portanto, rápido para ser finalizado – a aprendizagem é um pouco demorada. É praticamente impossível ir muito longe na primeira tentativa.


Velocidade da luz

Se o conceito do jogo foi brilhante e muito bem pensado, o resto teria de acompanhar. Felizmente é o que acontece. A caracterização dos personagens é boa, sendo eles carismáticos. O visual geral do game, apesar de "quadradão", é bem claro. Dá pra distinguir claramente os objetos de cenário.


Além disso, tem a ótima trilha sonora, composta por Hajime Hirasawa, bem marcante, adicionando emoção aos principais momentos do jogo. As músicas são ótimas, utilizando de forma bem interessante o sintetizador do console. É interessante perceber que o timbre de alguns instrumentos do arranjo sonoro (agudos, semelhantes à xilofone ou piano) lembra o aspecto visual limpo dos polígonos do jogo.


As músicas combinam com os momentos em que são tocadas, como, por exemplo, a música da primeira fase (Corneria) que remete a um filme de ação, misturando Hard Rock com fundo orquestrado. Ou , ainda, a música do "Sector Y", uma valsa suave, dando uma leve sensação de "viagem", combinando com a situação surreal em que se apresenta - o espaço sideral se assemelha a um oceano nessa fase, com animais aquáticos flutuando no céu.


Para concluir, o jogo oferece um "fator replay" altíssimo. Por ser um jogo rápido, estilo Arcade, oferece uma alta dose de adrenalina, o que torna o jogo altamente viciante. Além disso, o jogo conta com três níveis de dificuldade. Porém, em cada um deles, o trajeto muda e, portanto, as fases também. Como se não bastasse, têm as fases secretas, que se encontram no caminho do "Black Hole" (Buraco Negro).


Como podemos ver, a Nintendo não poupou esforços e criatividade para seu Star Fox, criando um jogo emocionante, criativo e viciante. Mesmo com a falha da lentidão do processador, a Nintendo conseguiu contornar o problema criando não apenas um jogo bom, mas um verdadeiro clássico do mundo dos games!


No núcleo de uma nave inimiga


Resumo



Roteiro:

Simples e direto, até simplista. Não há necessidade de algo muito mais rebuscado.


Visual:
Apesar de "quadradão", o game contorna o problema com polígonos coloridos e claros, além dos Sprites e imagens de fundo bem desenhadas.



Música:
Trilha sonora emocionante, além de combinar com o momento em que são tocadas e com o visual do game. As músicas grudam na cabeça, depois de uma boa partida.



Jogabilidade:
O game explora ao máximo as situações proporcionadas pela tridimensionalidade. Nada como um jogo de ação de naves para aproveitar o potencial da tecnologia.



Fator "replay":
A alta dose de adrenalina torna o jogo viciante, além das opções de dificuldades, que contam com fases diferentes.



Dificuldade: Alta
Difícil. Para os iniciados, é questão de tempo. Porém, é praticamente impossível ir muito longe logo na primeira tentativa.



Conceito geral:




Referências:

Disponível em: http://outerspace.ig.com.br/retrospace/



25 de maio de 2009.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Pensamentos numa noite de carnaval - Ego

É difícil nos auto-definirmos. Estava lendo um texto sobre solidão em que o autor dizia ser importante, antes de mais nada, nos encontramos, conversarmos conosco mesmo.

Comecei a me analisar neste aspecto, buscando o motivo da solidão. No mesmo texto o autor dizia, em determinado momento, que o que poderia ajudar era enterrar o passado (não exatamente com essas palavras). Lembrei-me de uma garota que havia me atormentado num sonho. Mas não, não era só sonho. Ela existia! Mas era passado claro.

Uma parte do alívio tinha acabado de chegar! Mas, pensando mais, me lembrei de outro detalhe: às vezes, mesmo cercado com muitas pessoas, me sinto sozinho... Por quê?

Solidão intelectual. Foi o nome de um tópico de um fórum sobre timidez. Uma comunidade do Orkut, melhor dizendo. Sim, era isso! Você tem interesses que ninguém compartilha, e, por isso, mesmo cercado de pessoas, se sente sozinho. Uma psicóloga me disse uma vez que "sim! Você é diferente e deve reconhecer isso. Isso não é necessariamente um problema, temos que nos esforçar e entender que os outros também são diferentes.".

É verdade. Porém, acho que eu tenho um problema mais sério. Vou chamá-la de "síndrome do diferente". Só um apelido. Um pouco forte talvez, mas um apelido. O principal sintoma é você querer ser diferente sempre, não importa em que condições.

Não sei explicar da onde vem isso. Toda vez que percebo que tem muita gente que gosta do que eu gosto, eu fujo... Estranho, não? Talvez eu queria uma posição de destaque. "Olhem como aquele cara é diferente!". Talvez eu precise ouvir isso.

Talvez seja uma ambição exagerada em inovar e ser lembrado.

Talvez eu só precise me reconhecer como diferente e saber que isso é normal, como todo mundo no mundo. Talvez seja só isso mesmo.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Blade Runner

Cartaz original do filme

Introdução

Tinha ouvido muito falar sobre este filme. "Um Clássico da Ficção Científica", diziam.
Mas foi quando li um comentário de um crítico, não me lembro exatamente quem (o que tira toda a credibilidade deste comentário, mas, enfim, continuando...) , sobre o filme Matrix, foi que me interessei.
Explico: estava lendo a resenha, em que o crítico em questão elogiava muito o Matrix, e eu concordei, logicamente (fé cega não se discute!).
Num determinado momento, escreveu: "(...)o roteiro de ficção científica mais original e inteligente desde Blade Runner(...)".
Pronto, a semente estava plantada...

E não é que, a primeira vista, me decepcionei!!!
Pois é, mas minha opinião iria mudar, e muito.
Vamos ao segundo ato da história...

Assisti primeiro a versão do diretor, que é bem mais intelectualizada que a original.
Fiquei sabendo depois que a versão original continha uma narração em Off, que foi retirada na do diretor.

Procurei muito a versão original. Só consegui mesmo comprando-a...
E não me arrependi!!!

Hoje considero a versão do diretor melhor que a original, mas foi necessário eu assistir a antiga para poder apreciar melhor o filme, pois, para burros como eu, tudo deve ser explicado nos mínimos detalhes.
Falando sério: de fato, a versão do diretor é bem mais complicada de entender.

As pessoas acostumadas aos filmes "MTV's" da vida, em ritmo de Vídeo Clipe, vão estranhar a lentidão de Blade Runner.

Sim, é um filme lento, mas um filme pra ser apreciado com calma, para se observar os detalhes!

Sinopse

No ano 2019, foi desenvolvido uma nova raça de andróides, conhecida como "Nexus 6". São tão fortes e inteligentes quanto os humanos, talvez até mais, além de idênticos fisicamente.
Os "Replicantes" (como são chamados os andróides do filme) foram proibidos na Terra. Somente são usados como escravos nas
colônias espaciais. Até que um grupo de seis replicantes descem a Terra.



Detetive Deckard

O detetive Deckard é contratado para "aposentá-los" (leia-se: matá-los).
Mas, enquanto busca o grupo para matá-los e, ao mesmo tempo, tenta descobrir o motivo de suas descidas à Terra (um motivo muito interessante, aliás), se apaixona por uma Replicante...
E aí nada mais fica claro entre o que é certo e o que é errado.
Quem é o mocinho? Quem é o vilão?
Não são perguntas muito fáceis de se responder, depois de se assistir o filme por inteiro (se conseguir ficar acordado depois)...


Rachel


Hora de puxar o saco!

O filme realmente é bem intelectualizado. Há vários "furos" no filme, que só se tornam mais claros depois de se assistir mais de uma vez (ou ler algo sobre na internet). Mas essa é uma das principais qualidades do filme. É um filme que faz pensar.

O roteiro é excelente, pra não dizer perfeito!
Além de fazer pensar, toca em vários assuntos. Sem contar na trama paralela (o romance) que está muito bem encaixado e dirigido (um micro-filme à parte)!


O filme é cheio de estilo! Mistura "film noir" (filmes policiais "escuros e decadentes" da década de 1940), futuro distópico, figurino "retro-futurista" (repare na roupa e penteado estilo década de 1920 de Deckard, de Rachel e dos outros detetives), com uma fotografia e enquadramentos perfeitos, além da trilha sonora, composta pelo tecladista grego Vangelis, ser fantástica, memorável!


Aliás, falando em fotografia, a cidade de Los Angeles está tão imponente que participa quase como uma personagem!! Repare no dirigível que aparece em vários momentos, anunciando a "nova vida" que podemos ter nas colônias espaciais. Ou o Outdoor em que aparece uma japonesa vestida de quimono.


As interpretaçõs são ótimas: Harrison Ford está perfeito como o decadente detetive Deckard, e Sean Young combina perfeitamente como a andróide Rachel, sem contar o misterioso Gaff, interpretado por Edward James Olmos.

Mas quem rouba a cena é Rutger Hauer, interpretando o replicante Roy Batty!
Imagine um vilão entrando numa sala para ameaçar uma vítima ... recitando poesia??
Um vilão carismático e formidável!!

Roy Batty, o vilão carismático e formidável ... ou não ...

O filme tem, também, ótimos diálogos. Frases como: "Não é ótimo ter uma coceira da qual não se consegue coçar?", ou "...essas memórias se perderão para sempre, como lágrimas na chuva...".

Além das qualidades já citadas, o roteiro realmente é excelente. A princípio parece um filme normal sobre andróides (se é que existe "filme normal sobre andróides") . Porém, ao se aproximar do final, o roteiro toma um rumo diferente, principalmente em relação às atitudes de Roy.

E aí vem o final espetacular, surpreendente...


Influência e influenciados

Inicialmente Blade Runner é "apenas" um ótimo filme de ficção científica, tendo usado de ótimas influências visuais e de roteiro, como o estilo visual e enredo de "filme policial sombrio" dos film noir, como também a influência visual do figurino e arquitetura da década de 1920, misturados com o visual futurista de 2019.

Além disso, o filme é inspirado num livro de Philip K. Dick, "Do Androids Dream With Electric Sheep?", o que significa uma história em que o protagonista é ou foi um policial, ou algo parecido com isso, e o enredo passa por temas como memória e questionamento do sistema vigente, além de ter um teor conspiratório (coisas do nosso querido, louco e genial Mr. Dick).

Mas não foi só isso. Não!
O filme foi um divisor de águas.

Temas como robótica, inteligência artificial, engenharia genética, manipulação da memória, corporativismo, destruição ambiental, e até mesmo clonagem podem ser vistos neste filme.

Repare também em como a globalização foi abordada. O mundo foi dominado pelo Japão (apesar de que eu sempre achei que foi a China, mas, como não manjo japonês, não posso dizer com certeza). Temos também a famosa cena em que Gaff fala no "Cityspeak", um idioma de rua que mistura vários idiomas num só!

É um filme cheio de detalhes! Repare, também, nas perguntas feitas nos teste para descobrir se uma pessoa é ou não Replicante. Observe o brilho nos olhos dos Replicantes. Sem contar os origames feitos pelo Gaff (cada um em um momento oportuno, eles não estão lá à toa).

A película de Ridley Scott foi uma das precursoras do movimento Cyber Punk, que, no cinema, iria culminar no filme Matrix.

Observe, por exemplo, no visual dos vilões do filme.
Além disso, toda a história se passa no submundo de Los Angeles, o que é intensificado pelo fato de ficarmos sabendo que "somente os melhores vão para as colônias espaciais". Ou seja, na Terra ficaram somente os renegados.

Não é um filme de respostas fáceis. Nos faz questionar e pensar, com perguntas como: como seria se eu fosse um replicante? Aliás, podemos ir mais longe! Em determinado momento, o enredo nos leva a pensar que "poderíamos ser um replicante e nem saber!" (quando assistir ao filme, você entenderá).

E, justamente por ser um filme visionário, fracassou na época de seu lançamento.
Segundo as palavras do próprio diretor, "estar à frente de seu tempo é o mesmo que estar atrasado, o público não o aceitará da mesma forma".

Mas, como sempre, o melhor crítico de todos é o próprio tempo...

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Primeiras impressões: Clube da Luta

Andei me perguntando: porque gosto tanto de Cinema??
A resposta é simples e óbvia:
Aprendi muito mais no Cinema do que nos 11 anos de escola, 3 de faculdade!!
Sim!!!
É claro que NÃO me refiro à conhecimento técnico!!!

Afinal, o que aprendemos na escola??
Apenas são jogadas informações sobre fatos e constatações, e nós apenas às absorvemos, sem nenhuma aplicação na nossa vida!!
Nós não aprendemos a pensar, não formamos opinião!!

No Cinema, ao contrário, aprendemos a pensar, a termos opinião, a decidirmos por conta própria!
É claro que depende do filme, e da nossa interpretação também!!

Clube da Luta faz isso com muita maestria!! Pelo nome, parece mais um filme sessão da tarde...
Grande engano!!! Realmente me surpreendi com o filme!
Estou pra dizer que senti o mesmo impacto que o causado pelo filme Matrix!

O filme conta a história de Jack, um homem que trabalha como investigador de seguros. Ele vive com insônia e, segundo ele mesmo, "estar com insônia é como se não estivéssemos nem acordado e nem dormindo direito".

Num determinado momento, Jack descobre que indo em grupos de auto-ajuda, com os alcoólicos anônimos, o faz ter uma ótima noite de sono, mesmo não tendo problema nenhum!

Até que ele conhece o anárquico Tyler. Num determinado momento, os dois começam a brigar sem nenhum motivo aparente. Depois da briga, que não há vencedores, ambos se sentem muito aliviados!!!
E fundam, assim, o clube da luta!!!

Mas o clube não se encerra nas brigas. Não nos esqueçamos das lições de casa que Tyler dá para seus discípulos, incluino Jack (não posso contar aqui, senão o filme perde a graça).

A metáfora do Clube da Luta é muito interessante. Todos os homens que vão para os clubes da luta no filme são pessoas perdidas, insatisfeita com o modo de vida prometido pela mídia.

Não pense que as mensagens do filme acabam por aí!
É tanta coisa pra ser aprendida com o filme que o espaço que tenho aqui não é suficiente.
E mesmo que fosse, eu não diria, rs. Afinal, o filme não teria mais tanta graça assim se eu contasse.

Um filme anárquico, subversivo!!!
Nos faz pensar e repensar muito. Uma crítica à sociedade e ao nosso modo de vida!

As atuações são brilhantes!! Edward Norton como Jack, e Brad Pitt como Tyler.
O roteiro do filme é inteligente, ágil e prende desde o primeiro momento.
A quantidade de informação jogada na tela é impressionante!!

Sem contar o final interessantíssimo, surpreendente!!

Um filme raro, revolucionário, polêmico, inovador!!
Muda nossa forma de pensar!
Imperdível!!!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Resenha: Rendez-Vous


Artista: Jean-Michel Jarre
Álbum: Rendez-Vous
Ano: 1986
País: França


Músicas:

1. First Rendez-Vous (2:54)
2. Second Rendez-Vous (10:55)
- Partes 1 a 4
3. Third Rendez-Vous (3:31)
4. Fourth Rendez-Vous (3:57)
5. Fifth Rendez-Vous (7:41)
- Partes 1 a 3
6. Last Rendez-Vous (Ron's Piece) (6:04)

Integrantes:
- Jean-Michel Jarre: Seiko DS 250, Synthex (2), Moog (1), Roland JX 8P, Fairlight CMI (5), E-mu Emulator II, Eminent, EMS Synthi AKS, Harpe Laser (3), RMI, OBX, DX 100, Matrisequencer, Roland TR-808, Lynn 9000, Prophet, Casio CZ 5000, ARP 2600 (4)
- Michel Geiss: ARP 2600 (4), Eminent, Matrisequencer, Roland TR-808
- Dominique Perner: Memory Moog
- Joe Hammer: Drumulator, percussions
- David Jarre: Baby Korg personal keyboard
- Pierre Gossez: Saxofone (em "Last Rendez-Vous")

Composto e arranjado por: Jean-Michel Jarre.

"The frenchman"

Inspirado nas viagens espaciais, este é um dos álbuns mais originais do "frenchman" da música eletrônica.
Precisamente coeso, tem um clima ao mesmo tempo espacial, dramático, e ao mesmo tempo sutil, melancólico e atmosférico. Lembrando que praticamente não há pausa entre as música, com excessão de uma pausa central devido a divisão em lado A e lado B do disco de vinil original.

Vamos as músicas:

(1) Sintetizador Moog (usado nos solos, principalmente nos agudos)

1. First Rendez-Vous (2:54)

A faixa inicial funciona perfeitamente como uma pequena introdução, preparando-nos para o que virá depois.
Inicia-se com um som extremamente sombrio, dando a sensação de uma respiração monstruosa e metálica, vindo do espaço, e, ao mesmo tempo, ouvimos uns sonzinhos agudos, que se assemelham ao som de botõezinhos. Enquanto a "respiração" se repete, ouvimos acordes surgindo ao fundo, com um timbre bem etéreo, atmosférico. enquanto a respiração vai desaparecendo, os acordes vão crescendo até o primeiro plano, e ouvimos o tema principal, melancólico, suave e etéreo, que transmite uma sensação suave de deslumbramento.
A faixa termina com uma frase melódica de "fim de música", bem clássica.
Uma música maravilhosamente suave, marcante!

(2) Synthex

2. Second Rendez-Vous (10:55)

Um verdadeiro épico de Jean-Michel Jarre. Bem dramática, e com um ar de música clássica.
Foi dividida em quatro partes na versão em CD.
Na primeira parte, somos apresentados ao tema principal, que se repete e evolui, à semelhança de uma música clássica, bem dramática.
Com uma pausa sutil, ouvimos uma escala crescente, e somos apresentados à segunda parte, com um novo tema.
Também dramática, ouvimos uma melodia produzida por uma voz humana, semelhante à voz soprano de ópera, mas imitada por um teclado! Um tema épico e exótico.
Voltamos em seguida ao tema da primeira parte.
Novamente ouvimos uma pausa, mas dessa vez a música quase pára, para entramos na terceira parte.
Ouvimos um novo tema, mas o tema principal é tocado num timbre vibrante, metálico, quase robótico. É um tema bastante futurista e espacial, mas ainda permanece o clima épico inicial da música.
No final da terceira parte ouvimos novamente "a respiração", com o tema inicial emergindo sutilmente.
E suavemente voltamos ao tema inicial da música, mas desta vez bem mais dramático, como um gran-finale, e o que há de melhor: o tema é acompanhado por um coral, o que aumenta a sensação de épico, e há ainda uma percução (aquele prato usado em orquestra) que marca determinados trechos.
E a música termina com um único acorde cantado pelo coral, e o prato sendo tocado, pra marcar bem o final.
Pra mim ainda é uma das músicas mais impressionantes e dramáticas deste compositor!

(3) Jarre tocando Harpe Laser (responsável pelo timbre metálico)

3. Third Rendez-Vous (3:31)

Somos brindados com mais uma música dramática e impressionante, mas desta vez com um tema inteiro tocado com o timbre metálico, e acompanhado por um som abafado, que lembra bem sutilmente um coral.
Esta música tem uma esrutura bem clássica, com uma curta introdução, um tema principal, desenvolvimento e reapresentação do tema principal.
No trecho central, junto com um som de prato distorcido, ouvimos um tema deslumbrante e bastante trágico, fantástico!
A música termina triste, com uma nota grave, sumindo.
Novamente uma música marcante!

(4) Sintetizador ARP 2600 (timbre suave, que lembra orquestra)

4. Fourth Rendez-Vous (3:57)

Depois de uma longa pausa (este seria o lado B do disco) ouvimos uma batida bem pop, quase techno, e somos apresentados a um tema bem festivo! Um enorme contraste em relação as músicas anteriores. Apesar de ser aparentemente mais comercial, não perde a classe, e funciona perfeitamente bem no contexto do disco, dando um alívio em relação aos temas dramáticos da metade anterior do álbum.
O trecho central é ainda mais festivo, com uma batida que dá a sensação de vermos fogos de artifício, como uma comemoração de fim de ano!
A música é encerrada com uma respiração, mas desta vez mais humana que a respiração do início do álbum, que emenda com o início da próxima música.

(5) Fairlight CMI (sampleador, responsável pelos "barulhinhos" e "vozes")

5. Fifth Rendez-Vous (7:41)

Talvez a música mais "voyage" de Jean-Michel Jarre.
Também foi dividida na versão do CD, em três partes.
A primeira parte é um tema sereno, tocado num timbre suave.
Ainda mantém o clima espacial, mas mais "orgânico" que os temas anteriores, principalmente pelo acompanhamento de sons semelhantes à tambores.
Depois de sons semelhantes à ondas do mar, ouvirmos acordes num tema de suspense, e temos a sensação de estarmos entrando num vórtice!
Inicia-se a segunda parte, a mais "viagem"!
Ouvimos um dos recursos mais interessantes, que fora muito pouco usado na música popular: o reaproveitamento de temas anteriores, algo muito usado na música Clássica.
Neste caso é um tema da música anterior (Fourth Rendez-Vous).
Aqui a intenção o artista é criar a sensação de "flash-back", como se estivéssimos sonhando, vendo "Deja-Vu's"! Mas é algo muito rápido!
Somos logo lançados numa outra melodia, desta vez tocada por aquela "voz soprano" novamente.
Ouvimos um tema circense, como se passasse uma banda na nossa frente, seguido por outro "flash-back" da música anterior.
Voltamos brevemente à "soprano", para então sairmos do "vórtice", e irmos para a parte seguinte.
No início da terceira parte ouvimos um tema acelerado, que dá a sensação de vermos formigas correndo e ao mesmo tempo de estarmos voando, tocado em dois "instrumentos": um que lembra xilofone, e outro que lembra trompete.
Surge, então, uma som grave, como trombones, acompanhado por um solo agudo "deslizante", deixando a música majestosa!
É encerrada novamente com as "ondas do mar".

Ronald McNair

6. Last Rendez-Vous - Ron's Piece (6:04)

O "Last" e o "Ron's Piece" do título é porque a música é um Requiem (música fúnebre) composta para homenagear Ronald McNair.

Ron McNair era um astronauta, que iria para o espaço na Space Shuttle Challenger. A idéia original de Jarre era fazer um show em Houston, com transmissão ao vivo do espaço para o telão, em que o astronauta tocaria saxofone junto com o tecladista.
Mas a Challenger explodiu no lançamente, deixando Jarre deprimido, fazendo com que ele tivesse quase desistido do show e do lançamento do álbum.
O álbum foi lançado e o show realizado, mas como uma homenagem aos astronautas, principalmente à McNair.

De fato, o tema é triste e fúnebre, mas ainda assim atmosférico, suave, espacial.
Inicia-se com uma batida de coração muito lenta, acompanhada por acordes tristes, mas muito suaves.
E de repente...Oh! Um saxofone!!
O tema é muito bonito, sensível, suavemente Jazzístico, tocado pelo saxofonista Pierre Gossez.
Parece ser improvisado, não tenho certeza.
No meio da música inicia-se um ritmo, tocado no teclado, transmitindo a sensação e "aceleração", de que o "final derradeiro" se aproxima.
O tema triste tocado pelo sax continua, evolui e finaliza a música, depois do "ritmo" desaparecer.
Encerra-se com uma frase melódica no sax, dando uma sensação melancólica de fim, mas com um toque de esperança, e a última batida do coração...
Uma das músicas mais sensíveis de Jean-Michel Jarre!!

O impressionante show de J. M. Jarre em Houston

Conclusão

Este álbum foi muito famoso. Não sei se foi o mais vendido mas, pelo menos aqui em São paulo, é muito fácil de encontrar o LP. Está em praticamente qualquer sebo que venda vinis. Com certeza um dos motivos de ter aumentato a fama foi a tragédia da Challenger, mas isso não diminui o fato de este álbum, na minha humilde opinião, ser uma obra de arte!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Resenha: Encontros e Desencontros

Cartazes do filme:



Assisti "Encontros e Desencontros" ontem (domingo).
Pelo que me falaram do filme de Sofia Coppola , já assisti esperando uma ótima película.

Por ter um roteiro minimalista, confesso que, de início, fiquei um pouco decepcionado.
É um filme "parado". Me parecia "frio"...

Me enganei! Na verdade é o exato oposto: é um filme muito sensível!
Convence com poucas palavras e gestos, com simples olhares!


A partir de determinado momento, comecei a me identificar com o filme.
Me identifiquei principalmente com as crises da Charlotte. Não só com a solidão, como também com as "dúvidas profissionais".
Além disso, Bill Murray está ótimo (já sabia que ele é um ótimo ator, agora está mais do que confirmado).
Scarlett Johansson é quem interpreta Charlotte. Além de linda, é uma ótima atriz! Seus olhares são cativantes, sinceros!
Já disse que me identifiquei com Charlotte, certo? Principalmente por ter feito filosofia! Não fiz filosofia (ainda), mas sempre tive vontade.

Uma das cenas que minha admiração pela personagem cresceu foi no momento da conversa entre ela, seu marido e a amiga do marido, que é "cabeça-oca"! xD
A comparação faz Charlotte subir num trono! (e se sentir ainda mais solitária)

Mas talvez o detalhe decisivo, por incrível que pareça, foi a fotografia do filme!
Me identifiquei com a fotografia...
"Mas como alguém pode se identificar com a fotografia de um filme??? Hein? Hein? Hein???"
Eu adoro fotografia!! Reparo muito nesses detalhes! E posso dizer com certeza que o filme é construído exatamente da forma que eu o faria!
O jeito que a cidade de Tóquio é absorvida pelo filme é perfeita, chegando a se comportar como uma personagem! Me senti em Tóquio, mesmo sem conhecer a cidade!
Fiquei com vontade de filmar São Paulo agora! =D (São Paulo é uma cidade muito cinematográfica, já repararam?)


Um ótimo filme, pra ser assistido mais de uma vez...porque, talvez, da primeira vez, não conseguiremos captar toda a mensagem, apesar de simples. Temos que assistir no ritmo que o filme pede, e com a calma e sensibilidade que ele transmite!